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#tristeza

O luto e a luta

Só entendemos o tamanho do luto quando o sair da cama se transforma em uma luta diária contra a vontade de esconder a cabeça embaixo das cobertas e fingir que ainda não amanheceu. Porque, na verdade, em você, ainda é noite fechada. A gente só admite o quanto era bom o “sempre” quando tem que engolir o “nunca mais”. Só  constata a luminosidade daquela presença quando a ausência apaga todas as luzes definitivamente. Só dimensiona o tamanho do amor quando não sabe mais onde colocá-lo. Engana-se quem acredita que a morte é o encerrar da vida de uma pessoa apenas. Ela vai além: amarela sorrisos e avermelha olhos; desata abraços e ata nós na garganta; rasga planos, esfria um lado da cama e do coração. Morrer deixa rastros. Cadeiras vazias e armários cheios de roupas. Restos de xampu e de sonhos. Remédios que não curaram e documentos que se extraviaram para sempre de seu dono. A morte cria um acervo triste, repleto de últimos: a última foto, a última mensagem, a última lista do supermercado e o último até breve. E perdura para muito além do dia em que tira alguém de tantos alguéns: vamos nos deparando com pedacinhos daquela ... Leia Mais

É triste admitir, mas acostumamos com a tristeza

De tão conhecida, a tristeza vira aquela amiga íntima, de quem a gente nem gosta tanto, mas sente falta quando ela não está por perto É triste admitir, mas acostumamos com a tristeza. A gente se aninha a ela como quem recorre a um colo acolhedor. Porque, de tão conhecida, a tristeza vira amiga íntima. Sabemos exatamente a música que vai nos maltratar, mas a ouvimos à exaustão. Quem nunca chorou em frente ao espelho para olhar nos olhos da pessoa mais azarada da face da terra e se compadecer dela? E quantos de nós não optou por ir a pé, embaixo de chuva, para sentir na pele o tamanho do abandono? A tristeza temporária é inevitável e você terá por perto as pessoas que se aproximam por um tempo, normalmente aquele correspondente a um luto normal. Mas quando se insiste em fazer dessa convidada indesejada uma companhia constante, o público cansa: tristes são enfadonhos e só atraem outros tristes, normalmente preocupados com o próprio desgosto. Temos uma tendência meio suicida de protagonizar histórias tristes. Pura autopiedade ou o compromisso com um ritual macabro, que é letárgico e paralisa. A tristeza é uma poça fácil de atolar e de onde ... Leia Mais