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#RevistaAnamaria

Cartinha de Natal: querido Papai Noel, me dá um tempo?

Querido Papai Noel, espero que este meu pedido não chegue atrasado ou que você já tenha saído da Lapônia e esteja sem sinal de internet. Eu sei, eu sei: deveria ter me organizado melhor e mandado a cartinha dentro do prazo estabelecido por sua empresa, cumprindo os protocolos que sempre me perseguem. Mas o meu presente tem tudo a ver com este atropelo: Noel, eu quero pedir tempo. Sabe tempo? Aquele que é fundamental para fazer as coisas com calma, organizadamente, sem ter que sair de casa tão atropelado que esquece a alma no elevador? Ou até mesmo para ficar zapeando a TV e reclamando, com ares de tédio, que não tem nada de bom para ver? Ou para passar uma tarde inteira lendo e cochilando de pijama e cabelo sujo? Aquele que é vital para fazer coisas ainda menos nobres, como falar mal dos outros numa mesa de café com uma amiga, sem olhar e-mails de doze em doze segundos ou ter o WhatsApp apitando freneticamente, provando, a cada nova mensagem, que você tem que fracionar tanto o seu tempo para os outros, que acaba não sobrando nada dele para usar como realmente gostaria? Pois é: eu queria este ... Leia Mais

O verdadeiro amor mora nos detalhes e só é reconhecido por quem entende este idioma

Mais fácil confiar no amor que fala baixinho, que sussurra sutilezas do que naquele que esbraveja aos quatro ventos. Porque o amor exibido pode ser, mas tem altas chances de não primar pela sinceridade. Corre o risco de ser apenas um show procurando aplausos ou curtidas nas redes sociais. É quando ninguém está olhando que o amor se manifesta em sua forma mais pura, mais delicada. Mas é uma linguagem tão sutil, que só a compreende quem está com os sentidos apurados para decifrar o idioma. A mãe que recomenda levar o agasalho todas as vezes que você sai de casa está fazendo uma declaração rasgada, que talvez só seja decifrada muitos anos mais tarde: na verdade, é a maneira dela tentar te manter aquecido como quando morava dentro dela. O aroma do café fresco, passado na hora, também é um bilhete amoroso, avisando que você não está sozinho àquela hora da manhã. Tem o “eu te amo, meu filho” não dito, mas expressado pelo pai que deixa o portão sem a tranca todos os dias para facilitar sua entrada. O portão destrancado está gritando que a casa fica mais alegre com sua presença. Assim como o amor reside nas ... Leia Mais

Com que roupa eu vou? As dores e as delícias de vestir sua autoestima

O assunto aqui não é moda, passarelas ou o universo fashionista, apesar de, em um primeiro momento, parecer isso. O tema é a preocupação saudável com a aparência, de como nos apresentamos para o mundo. “Preocupação saudável” porque pode-se incorrer no erro de confundir com o clichê da ditadura da beleza, da necessidade de seguir padrões e, de novo, não é isso. Quando falamos em roupas, acontecem alguns fenômenos interessantes: ou somos tachados de fúteis, sob o argumento de o importante é a essência da pessoa, ou de materialistas porque a tendência é pensar que se trata de um privilégio de quem tem rios de dinheiro para gastar “à toa”. Porém, são contra-argumentos vazios, que deixam escapar a verdade por detrás da falta de cuidado ao se apresentar em público ou para o espelho: negligência com a autoestima e escassez de um olhar amoroso sobre si mesmo. Há um pensamento recorrente de que vestir bem é apenas necessário ao ir a uma festa, ao trabalho ou à igreja e que, no restante do tempo, é só encaixar uma calça e uma blusa “para bater” e evitar sair nu. “Roupa da missa”, diriam alguns. Este tipo de crença alimenta o descuido, ... Leia Mais

Sobre essa gente que se acha a última bolacha do pacote

Algumas pessoas não precisam abrir a boca para termos certeza de quem são. Pelo jeito que respiram dá para identificar se tem um ser humano ali que vale a pena ou um que deveria ter ficado dentro da camisinha. Gente que por algum motivo – formação ou deformação – acredita piamente que está entre os escolhidos para a Terra Prometida e, neste caso, né? Perder tempo com os hereges para quê? Nos escritórios, a espécie é abundante. Criam canais de comunicação com seus vários públicos, escrevem no perfil da rede social sobre a importância de interagir horizontalmente com os colaboradores e só abrem e-mail e WhatsApp do chefe. Se estão em um dia generoso até leem sua mensagem. Mas das seis perguntas que você fez, vão responder a primeira. E ainda terminam com “bom final de semana” em plena terça-feira, para que tenha certeza que a bondade de seu interlocutor terminou ali. E se estiver fora dos portões da corporação, experimente vender seu peixe para aqueles CEOs que se acham a Rainha da Inglaterra. Você manda a mensagem pelo canal disponível no site mais ou menos assim: “cara Elizabeth II, sei que é você quem faz as compras de batata ... Leia Mais

Não dá para fazer a princesa o tempo todo: às vezes a bruxa bota pra quebrar

Acredito em gente de verdade, naquelas com lado A e lado B. Da modalidade que é sensata a maior parte do tempo, mas estoura o cartão de crédito quando toma um fora do namorado. Pessoas que bebem com moderação até o dia em que batem a meta corporativa e enchem a lata e saem dizendo que amam os colegas da repartição. Aprovo quem gosta de todo mundo, mas, às vezes, não resiste e blasfema contra o cunhado e a sogra. E faz fofoca. E briga por política e retira-se do grupo do WhatsApp por pura malcriação. Sou fã daqueles que exageram na comida e depois culpam o metabolismo. Rezam para chover muito e assim terem um álibi para não ir à academia. Gente que marca compromisso, mesmo sabendo que não irá, só para não ficar mal com a galera. Gosto de quem não resiste a uma piada politicamente incorreta, a um doce calórico ou a colocar filtro na selfie. Das pessoas que pensam no look da festa a semana inteira e, ao serem notadas, dizem que pegaram a primeira roupa que viram no armário. Comem brigadeiro de colher direto na panela e se admiram no espelho, chorando. Gente boazinha: alerta ... Leia Mais