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#recalculando

Feliz ano velho: quem disse que 2020 não valeu a pena ser vivido?

Na semana passada, uma campanha publicitária de uma importante seguradora brasileira me tocou. E olha que não sou daquelas que se comovem fácil, não. Mas a criação da agência AlmapBBDO, com a linda música “Novo Tempo”, de Ivan Lins, sintetizou um pensamento que acalento desde que a pandemia varreu a nossa rotina para baixo do tapete: este ano emblemático de 2020 valeu a pena, sim. A propaganda mostra pessoas com “feitos” de 2020 descritos nas máscaras: “tive um filho”; “aprendi violão” e “me formei” são algumas das frases que aparecem. A boa sacada está justamente no fato de sair do lugar comum, sem enaltecer ideias surradas de que o isolamento serviu para praticarmos autoconhecimento, ficarmos mais juntos com nossas famílias, cultivarmos hortas e tentarmos a meditação. A mensagem central é ainda mais singela e, por isso, eficiente: a vida não está nem aí se tem vírus ou não. Ela simplesmente acontece. E passa. Para quem acorda todo dia com saúde, é necessário seguir em frente com todos os “apesar de”: apesar das máscaras que nos sufocam; apesar da vontade de abraçar e beijar como antes; apesar da falta que festas e viagens fazem; apesar do álcool gel; apesar dos medidores ... Leia Mais

Psicopatas do amor: fazem do romance um esporte até que o jogo perde a graça

Às vezes nem o olhar mais atento captura, mesmo mantendo um pezinho atrás por excesso de zelo. O máximo que se sente é uma certa estranheza quando a perfeição fica meio fora da realidade. Mas aí vem o pensamento reconfortante: “por que, afinal, não tenho direito de viver uma paixão plena?” E agradece o privilégio de ser agraciada por um amor tão completo, com parceria, cumplicidade e paixão. Por isso é tão difícil engolir o que vem a seguir: você dormiu na melhor parte da história e acordou despejada de seu sonho: o amor não só não está mais ali, como nunca esteve. Nada foi real e não passou de uma miragem no deserto. E o diagnóstico é matador: você foi o brinquedo de um psicopata de relacionamentos. Como todo psicopata que se preze, não mede consequências dos seus atos simplesmente porque não sente: nem compaixão, nem remorso, nem nada. Ele a escolheu para exercitar seu teatro e foi bem sucedido, a ponto de te envolver no que parecia ser o romance da vida. Talvez pelo poder da conquista, para afiar as garras ou simplesmente constatar o quanto é fácil manipular a caça. Mas talvez a gente nunca entenda o ... Leia Mais

Amor: recalculando

O que era o melhor caminho às vezes exige mudança de rota e muito fôlego para não deixar a felicidade desistir da carona no meio da estrada. Juramos no altar, olhando nos olhos. Comprometemos nossa palavra de mãos dadas, em uma praia paradisíaca ou numa noite de chuva torrencial. Dentro do cinema. Na cama. E afiançamos o amor eterno porque, naquele momento, ele é forte o bastante para ser eterno. É a nossa verdade. Mas esquecemos que, mesmo as verdades absolutas, podem ser transitórias. E, às vezes, elas sabotam o amor. Aceitamos como evolução a mudança de emprego, de casa, de faculdade, mesmo faltando um semestre para concluir o curso. Variamos o corte e a cor dos cabelos durante toda a vida. Temos ímpeto de rasgar os livros de história depois de entender que os mapas portugueses estavam bem atualizados em 1500 e indicavam claramente terras a oeste e que Colombo, por sua vez, também não colonizou nada porque tribos nômades chegaram bem antes. As voltas atrás são aceitas em quase todas as áreas. Mas quando a vontade de romper paradigmas bate à porta dos relacionamentos amorosos formais, a condescendência não é a mesma. Porque era para durar para sempre. ... Leia Mais