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#realidade

Como diria Caetano, estamos encarando o *avesso do avesso do avesso do avesso

Nos primeiros dias, quando tudo era uma completa novidade, ainda teve um pouco de graça. Afinal, estávamos protagonizando um acontecimento histórico e o #vaipassar parecia ter prazo de validade curto. Então dava para manter o equilíbrio enquanto nos ocupávamos com o que, aparentemente, estava ocupando todo mundo: arrumar gavetas, brindar pela tela do celular com outros confinados, afastar a mesa da sala de jantar para fazer seu treino de Pilates todas as manhãs, religiosamente. E o tempo foi passando (e passando e ainda está passando…), enquanto nos esforçávamos para cumprir o manual do #ficaemcasa. Mas os webinars cheios de conteúdos interessantes começaram a dar um sono danado depois dos dez minutos iniciais. Aquelas receitas – super práticas e saudáveis – que te fazem ir atrás de um monte de ingrediente exótico, deixava a pia lotada de louça suja e, portanto, a meta low carb perdeu a batalha para o aplicativo da lanchonete de hambúrguer. Jeitinho nas regras Com os cuidados pessoais foi a mesma coisa: no começo nos empenhamos aprendendo com os tutoriais sobre como hidratar o cabelo e fazer unhas com autonomia. Enchemos o carrinho das lojas virtuais com pequenos milagres da cosmética e, no final, concluímos que o ... Leia Mais

*Sobre como lidamos com o revezamento de personalidades em um dia de quarentena

É mais ou menos como ter duas personalidades revezando o protagonismo nas 24 horas do nosso dia.  A pessoa que acorda, antes do relógio com um pique de monitor de colônia de férias, é o otimista que está enxergando o lado bom da quarentena. Reverencia o sol e a pachamama, coloca música techno e treina seguindo a videoaula do professor – visivelmente mais gordo – da academia fechada há dois meses. Fala pelos cotovelos, usando as palavras da live de autoajuda da noite anterior, toma café da manhã sem glúten e sem lactose, por conta da dica da nutricionista no Instagram. Em seguida, engole os polivitamínicos que comprou em uma dessas madrugadas insones na frente do computador, quando decidiu levar uma vida saudável às 4 horas da manhã. Dois dias depois, a encomenda chega via motoboy – aqueles aparentemente imunes ao coronavírus – e nem se lembrava mais para que os comprimidinhos coloridos serviam. Então pega o celular disposto a dar só uma espiadinha nas mensagens apocalípticas, científicas, memes, teorias da conspiração e na briga política dos grupos e, uma hora e meia depois, quando consegue finalmente soltar o aparelho e ir para o banho, metade da positividade vai para ... Leia Mais

O dia em que a salsinha me ensinou algo sobre humildade

Pandemia´s time. Lista de supermercado da minha mãe em punho, luvas, máscara e lá vou eu para o front de batalha: o supermercado mais próximo, meio pequeno, daqueles que normalmente você tromba com as pessoas, faz bate-bate de carrinhos, sorri, pede desculpas e segue o jogo. Mas nesses dias não: se você vira abruptamente em um corredor e há um ser humano ali seu instinto é dar marcha ré. Olho a folha de caderno e concluo, com a empáfia de quem sempre está – ou acha que está – andando na frente, que minha mãe esqueceu de incluir muita coisa.   E então vou passando pelas prateleiras e recolhendo biscoitos, geleias, queijo, pães de todos os formatos – porque o da semana passada, obviamente, deve ter acabado – bolo industrializado, molho de tomate, vinho. Retorno triunfante, me achando uma heroína e provedora moderna. Já em casa, minha vai mãe me ajudando a higienizar os invólucros. Retiro os produtos das sacolinhas e vou declarando com olhar triunfante: “você esqueceu de marcar torrada, mas eu peguei…” E assim seguia minha demonstração de eficácia até que… – Você não comprou salsinha. Olho a lista. Sim, a salsinha estava lá, entre o detergente e a ... Leia Mais

Coluna Sinta & Liga – Não acredite em tudo que falam de você. Mesmo se for verdade

Bonito, companheiro, charmoso e discreto. Fofoqueiro, maldoso, invejoso. Passamos a vida agradando e desagradando. Somos muitos em um, depende de quem nos enxerga, depende do momento. Às vezes, o mérito de ser amado ou odiado é nosso. Às vezes é apenas um palpite de quem só vê a superfície. Em tempos de excesso de exposição nas redes sociais, chovem elogios reconfortantes (nem sempre sinceros) na timeline. Amigos, gentis, solidários. Formamos um casal lindo com nossos partners. Será? Talvez a gente se contente com essas marcas-registradas – e mal atribuídas – para sair por aí, desfilando uma boniteza fake, como quem usa uma roupa de grife emprestada: se sente tão bem naquela fantasia de pessoa admirável, que se esquece de praticar os atos que fariam jus ao título. Interpreta como verdade e fecha questão. E não pensa em resolver as olheiras com noites bem dormidas porque o filtro do celular corrige o problema e porque, afinal, você não é aquela do espelho, mas a da foto escolhida para a capa da sua conta no Instagram. Um ato solitário em prol de uma instituição filantrópica, amplificado no Facebook, não te transforma em Irmã Dulce da noite para o dia, por mais que ... Leia Mais

Vamos a mais um tratamento de choque

Senta aí, amiga. Solta a garrafa de conhaque e vamos conversar de novo. Primeiro, larga a garrafa de conhaque. Não, eu não deixei a garrafa de conhaque aí pra você se atracar com ela. Por que diabos eu ia te esperar com conhaque? Você não tem resistência nem para licor de menta. Ela estava aí na mesa porque eu ia flambar a carne do estrogonofe para o almoço. Seria um domingo normal e meu único risco era botar fogo na cozinha com o procedimento. Mas aí você ligou dizendo que ia tentar o suicídio. E a última vez que fez esse anúncio se perdeu no centro de São Paulo, tentando achar o Viaduto do Chá. E ainda me disse impropérios quando perguntei por que não pediu informações sobre como chegar lá. Mas conta. Foram à festa? E você colocou aquele vestido parcelado em 12 vezes, que tinha a nobre missão de botar seus peitos pra jogo? Tá. E ele nem comentou nada? Talvez tenha sido melhor assim. Mas todo mundo reparou no seu… look? Sim, acredito. Quem não olhou por gosto, olhou por desgosto. Não, não tem nada de errado com a peitaria. Mas o fato de não ter nada ... Leia Mais