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#PiorCegoÉQuemNãoQuerVer

A arte de se tornar descartável onde você era imprescindível

Tem gente acha que vai fazer falta para sempre na vida de alguém. Às vezes nem é por maldade, mas a sensação de ser imprescindível traz uma segurança, uma crença meio torta de que não é necessária quase nenhuma dedicação para manter a preferência. Como se o gostar do outro fosse uma fonte inesgotável de amor jorrando em sua direção. Mas amor é recurso finito. O poço seca quando só se faz retiradas. Quem ama também cansa. Cansa de aguardar por decisões que nunca chegam, cansa de acreditar que as promessas um dia serão cumpridas, cansa de receber “nãos” para todas as propostas, cansa de ver o companheiro andando em círculos e cansa de recolher migalhas depois de oferecer um banquete com o melhor de si. Cansa de ser invisível para quem sempre significou luz. Aos poucos – e talvez isso seja o mais triste –, por falta de uma atenção genuína, vamos deixando de contar nossas histórias, de pedir opinião, de fazer planos juntos e de procurar aconchego em abraços que nunca estiveram verdadeiramente dispostos a consolar. Cai a ficha de que estávamos sozinhos com nossa predileção. De protagonista a figurante Mas idolatria tem limite. O processo pode até ... Leia Mais

Triste sina de quem tem fome de churrascaria rodízio e se contenta com migalhas

Talvez essa seja a mais lamentável das dietas: se contentar com fragmentos de atenção e doses homeopáticas de carinho quando a vontade é se fartar com quilos de amor. Mas tem gente que vai se conformando com esse regime drástico e vive em estado de anorexia sentimental, fingindo estar satisfeito quando, na verdade, o coração ronca de fome. A magreza de quem consome tão poucas calorias de dedicação não se repara no corpo, mas nos olhos baixos. Nos gestos comedidos de quem tem medo de parecer exigente demais e teme perder a travessa rasa que lhe oferecem. Dessa forma, o amor que deveria vitaminar, enfraquece, faz perder as forças. Você não caminha na mesma direção, mas fica atrás, recolhendo, como um pombo magro, os farelos lançados, tentando se convencer que estão lhe servindo um banquete. Viagem errada Amar não é – ou não deveria ser – justificativa para aceitar qualquer condição só pelo direito estreito de se manter nos arredores. A resignação não faz parte das contraindicações na bula do amor. Amor também não é bilhete da terceira classe, que dá o direito de estar no mesmo trem, mas sem o conforto merecido. Ao contrário: quem ama deveria saber a ... Leia Mais

Sinta & Liga – Ao amigo que não ficou

– Nossa, por onde vamos começar? São uns 30 anos de atualização do HD. E nem se fala mais HD. Começa você… não! Eu começo. Você nunca foi muito bom de começos. Vou pular a parte de como estou, se tive filhos, se casei. Você já deu uma geral no Facebook. Não? Não me faça rir… esqueci minha agenda na sua casa uma vez e você folheou página por página. Hoje é engraçado, mas naquele tempo foi constrangedor. A vida seguiu e me levou por um monte de lugares, me entupiu de projetos e me apresentou pessoas que não ficaram. E outras que ficaram. Então vieram as redes sociais, que funcionam como um portal para reencontrar gente que, diferente do tempo, nunca deveria ter passado. Às vezes me pego reeditando nossas conversas. Eram conversas longas e inteligentes. Ou criei essa “inteligência artificial” com o filtro da memória?  Hoje seriam mais intensas, pode apostar. Porque vejo o mundo mais dialeticamente, procurando o outro lado, ponderando. E antigamente – desse antigamente ao qual você pertence – eu nem sabia como se empregava “dialeticamente”. Acho que mudei, mas não consigo imaginar mudanças em você, que sempre me pareceu tão pronto e com bom ... Leia Mais

Desculpe, foi engano

Não. Não dá para passar uma borracha e esquecer tudo. E também não dá para culpar o outro por erros seus. Mas, por sorte, a estrada é de mão dupla: o caminho que vai, também volta – Concentra. Tenho certeza que você vai lembrar. Começa tirando a lente cor-de-rosa e encara: ele era isso o tempo todo. Esse exercício, proposto por mim para uma amiga, tinha a intenção de fazê-la puxar para o nível de consciência situações desagradáveis e mensagens subliminares – e outras nem tão subliminares assim – de um relacionamento que já não fazia mais sentido. Parecia cruel. Ela lá, do outro lado do mundo, querendo ser consolada, querendo ouvir que era possível esquecer tudo, passar uma borracha, como dizem por aí (como se fosse possível apagar dores dilacerantes), e se atirar nos braços traidores que lhe eram estendidos novamente. Mas aí era eu que nunca me perdoaria por assistir e não agir. Foram meses de ligações, voltas atrás, broncas, lágrimas, convicções quebradas, cansaço de mil maratonas. Mas ela sempre soube qual era o caminho. Por isso eu nunca desisti dela. Por isso ela nunca desistiu de mim. E esse caminho passava longe de ser o mais fácil. ... Leia Mais