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#pandemia

Obrigatório o uso de máscaras: evitam o contágio, mas não escondem nossa verdadeira face

Ao contrário do que alguns imaginam, as máscaras de proteção, que agora compõem o nosso look do dia, podem funcionar para evitar o contágio de doenças, como a dita cuja, mas o acessório não dá superpoderes a ninguém, como a capacidade de nos tornar invisíveis. Porque tem um povo que veste a máscara, coloca os óculos escuros e acha que ficou transparente: não dá bom dia no elevador, não cumprimenta o porteiro e segue de queixo erguido, fingindo que não te viu na rua, acreditando piamente que tampar dois terços do rosto é o suficiente para passar batido e desfilar falta de educação. A opção de material na confecção das máscaras de quem age assim, aliás, deveria ser madeira para fazer jus à cara de pau. E tem quem ainda acredite que o mundo vai ser um lugar melhor pós-pandemia. Vai nada. Ao contrário: as situações adversas só exacerbam quem a gente realmente é. Fazem cair máscaras, isso sim. Se a pessoa já não tinha lá muita aptidão para as boas maneiras, a máscara está funcionando como um álibi e tanto para tentar se manter no anonimato quando convém. O objetivo do isolamento seria dar um drible no vírus. Mas ... Leia Mais

*Sobre como lidamos com o revezamento de personalidades em um dia de quarentena

É mais ou menos como ter duas personalidades revezando o protagonismo nas 24 horas do nosso dia.  A pessoa que acorda, antes do relógio com um pique de monitor de colônia de férias, é o otimista que está enxergando o lado bom da quarentena. Reverencia o sol e a pachamama, coloca música techno e treina seguindo a videoaula do professor – visivelmente mais gordo – da academia fechada há dois meses. Fala pelos cotovelos, usando as palavras da live de autoajuda da noite anterior, toma café da manhã sem glúten e sem lactose, por conta da dica da nutricionista no Instagram. Em seguida, engole os polivitamínicos que comprou em uma dessas madrugadas insones na frente do computador, quando decidiu levar uma vida saudável às 4 horas da manhã. Dois dias depois, a encomenda chega via motoboy – aqueles aparentemente imunes ao coronavírus – e nem se lembrava mais para que os comprimidinhos coloridos serviam. Então pega o celular disposto a dar só uma espiadinha nas mensagens apocalípticas, científicas, memes, teorias da conspiração e na briga política dos grupos e, uma hora e meia depois, quando consegue finalmente soltar o aparelho e ir para o banho, metade da positividade vai para ... Leia Mais

*A vida como (realmente) ela é

A pandemia está nos apresentando a uma vida familiar sem filtro. Um grande espelho que faz enxergar o que não necessariamente estamos dispostos a ver. Uma imersão compulsória para dentro da gente e da casa, que pode mostrar como a orquestra intramuros desafina. Porque é mais fácil ter a família perfeita quando não se fica 24 horas com ela em uma rotina que passa longe de ser de férias. É como descobrir a sujeira embaixo do tapete – que, literalmente, você descobriu depois que começou a por a mão na massa e fazer faxina. São situações das quais tentamos nos esquivar no dia a dia dos tempos normais, tampando o sol com a peneira, procurando desfocar para não encarar certas verdades, que agora estão gritando com a gente. Talvez até desconfiássemos de que havia alguma coisa errada com nossos relacionamentos mais íntimos, aqueles entre marido e mulher, filhos e nossos pais. Mas íamos empurrando com a barriga porque, afinal, não era tão difícil assim coabitar com os outros moradores nas poucas horas entre o despertar e o café da manhã ou entre o jantar e a hora de dormir. Mas agora acontece uma espécie de intensivão e a tropeçamos na ... Leia Mais

Fazer o bem e olhar a quem

A gente sempre espera ser reconhecido por uma atitude generosa. Apetece, sim, uma resposta positiva quando nosso gesto foi no sentido de ajudar, aconchegar, agradar ou salvar. E a “paga” não precisa vir em forma de discurso passional, menções honrosas ou postagens nas redes sociais para mostrar à lista de contatos o quanto somos ilibados. Isso se chama vaidade e quem pratica está mais interessado no próprio ibope do que no outro. Mas é difícil não se importar quando o presente escolhido com carinho fica preso dentro da embalagem até o final da festa, sem dar a oportunidade de vermos a reação do aniversariante. Improvável deixar a gorjeta do garçom e não contar com um olhar cúmplice de agradecimento.  Complicado parcelar a viagem de formatura do filho em 24 vezes e não ansiar para que ele aproveite e volte satisfeito contando suas aventuras. Levar uma água fresca até o reciclador, que faz seu trabalho sob o sol escaldante, e não receber um genuíno “obrigado”. Passar a tarde preparando um jantar caprichado e não aguardar que os convidados elogiem e peçam bis. Para quem verdadeiramente sente-se feliz em socorrer, na maioria das vezes, um sorriso de volta já preenche essa ansiedade ... Leia Mais