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#MuletasMorais #CaminharSozinho #recomeçar #IrEmFrente #ViverApesarDe

Triste sina de quem tem fome de churrascaria rodízio e se contenta com migalhas

Talvez essa seja a mais lamentável das dietas: se contentar com fragmentos de atenção e doses homeopáticas de carinho quando a vontade é se fartar com quilos de amor. Mas tem gente que vai se conformando com esse regime drástico e vive em estado de anorexia sentimental, fingindo estar satisfeito quando, na verdade, o coração ronca de fome. A magreza de quem consome tão poucas calorias de dedicação não se repara no corpo, mas nos olhos baixos. Nos gestos comedidos de quem tem medo de parecer exigente demais e teme perder a travessa rasa que lhe oferecem. Dessa forma, o amor que deveria vitaminar, enfraquece, faz perder as forças. Você não caminha na mesma direção, mas fica atrás, recolhendo, como um pombo magro, os farelos lançados, tentando se convencer que estão lhe servindo um banquete. Viagem errada Amar não é – ou não deveria ser – justificativa para aceitar qualquer condição só pelo direito estreito de se manter nos arredores. A resignação não faz parte das contraindicações na bula do amor. Amor também não é bilhete da terceira classe, que dá o direito de estar no mesmo trem, mas sem o conforto merecido. Ao contrário: quem ama deveria saber a ... Leia Mais

Sinta & Liga – Inimigo com crachá de amigo

Traição de amigo pode conter mais punhais do que traição de parceiro romântico e a explicação é simples: o companheiro traz em si o benefício da dúvida. Por mais que a gente acredite na fidelidade, sempre teremos um pezinho atrás, nem que seja por excesso de zelo. Já em amigo confiamos sem reservas. É para ele que corremos, inclusive, quando nos decepcionamos com o amor. Amigo sabe de coisas que pai, mãe, irmão e marido não sabem. Aliás, amigo sabe mais da gente do que a gente mesmo. Amigo é o outro lado do espelho. Por isso a decepção cortante quando quem usava o crachá de amigo te passa uma rasteira. A questão nem é conseguir se levantar, mas para onde ir depois de ficar em pé, uma vez que o porto seguro desapareceu. Amigo que se revela inimigo derruba crenças, apaga o norte, gera insegurança e solidão. É como se sentir nu ao notar que abriu as portas da casa e da alma para alguém que, no fundo, você nem conhecia. O pior é que deslealdade de amigo coloca em xeque a amizade de maneira generalizada. Você tende a olhar para todo seu círculo com desconfiança. Mas, se existe ... Leia Mais

Sinta & Liga – Ao amigo que não ficou

– Nossa, por onde vamos começar? São uns 30 anos de atualização do HD. E nem se fala mais HD. Começa você… não! Eu começo. Você nunca foi muito bom de começos. Vou pular a parte de como estou, se tive filhos, se casei. Você já deu uma geral no Facebook. Não? Não me faça rir… esqueci minha agenda na sua casa uma vez e você folheou página por página. Hoje é engraçado, mas naquele tempo foi constrangedor. A vida seguiu e me levou por um monte de lugares, me entupiu de projetos e me apresentou pessoas que não ficaram. E outras que ficaram. Então vieram as redes sociais, que funcionam como um portal para reencontrar gente que, diferente do tempo, nunca deveria ter passado. Às vezes me pego reeditando nossas conversas. Eram conversas longas e inteligentes. Ou criei essa “inteligência artificial” com o filtro da memória?  Hoje seriam mais intensas, pode apostar. Porque vejo o mundo mais dialeticamente, procurando o outro lado, ponderando. E antigamente – desse antigamente ao qual você pertence – eu nem sabia como se empregava “dialeticamente”. Acho que mudei, mas não consigo imaginar mudanças em você, que sempre me pareceu tão pronto e com bom ... Leia Mais

Levanta-te e anda

O uso excessivo de “muletas morais” pode acabar nos aleijando. Por isso sempre é tempo de perguntar: já não dá para andar com as próprias pernas? O publicitário Washington Olivetto, logo após ter sido resgatado de seu cativeiro, depois de 52 dias sequestrado, em 2002, disse aos jornalistas uma frase que nunca esqueci: “fui vítima, não sou mais”. A tirada supostamente visava aquietar aqueles que queriam fazer da passagem uma novela mexicana, uma vez que ali estavam todos os elementos para isso: quadrilha internacional, um empresário conhecido, um cativeiro, a cadeia de coincidências que fizeram com que ele fosse encontrado. Podia sim ser uma jogada de marketing de um mestre no assunto. Mas, exceto pela menção obrigatória à passagem em seu recém-lançado livro (Direto de Washington, editora Sextante), Olivetto evitou falar publicamente do sequestro por todos esses anos. Ele tinha sido vítima. Não era mais. Todos temos motivos para nos vitimizarmos em maior ou menor escala. Sempre haverá uma razão para justificar nossas fraquezas, nossas inoperâncias, nossos erros. A culpa nunca será totalmente nossa. O cabide da autocompaixão está ali para nos pendurarmos. Se você ficou órfão aos 10 anos, descobriu ser adotado aos 20, teve câncer, perdeu um filho, ... Leia Mais