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“No meu tempo”: aquele lugar supostamente mágico, mas que ficou para trás

“No meu tempo tudo isso aqui era campo.” “No meu tempo a gente tinha palavra e não precisava de papel assinado.” “No meu tempo as crianças respeitavam os mais velhos e os professores.” “No meu tempo não tinha essa pouca vergonha.” No meu tempo… Nesse tal de “meu tempo” não existem maldades ou dificuldades. O “meu tempo” é um paraíso na Terra, filtrado por potentes lentes cor-de-rosa. No “meu tempo” morava a felicidade, que ficou lá atrás, irretocável. E esse tempo não deixou só saudades. Ele deixa nossos pés plantados como raízes e nossa cabeça voltada para um lugar que não existe mais. E quem insiste em caminhar olhando para o passado, invariavelmente tropeça no presente. E será que era mesmo tudo isso? “No meu tempo” é uma frase que envelhece automaticamente quem a diz, independente da idade, além de demonstrar o desprezo pelo agora.  O recado é: “meu tempo” foi um banquete farto, cujos pratos principais já foram saboreados e restam os ossinhos de frango para serem roídos para quem não viveu “aquele tempo”. Mas qual é o “seu tempo”, se estamos tratando com vivos? Os anos dourados da juventude? A infância? Depois disso as coisas não deram mais ... Leia Mais

A insustentável leveza de não ser: não dá para fingir quem você não é o tempo todo

Tem muita gente que abre mão de quem é para tentar ser o que os outros esperam. Estamos no tempo da liberdade de pensamento, do respeito às individualidades, mas desde que sua individualidade siga os parâmetros do autor da cartilha de “como ser você no século 21”. Socialmente, temos que ser politizados, ponderados, com empatia para dar opinião sobre quase tudo. Essa sociedade – que nos vigia, cada vez mais, pela internet – espera que formemos a família perfeita, como em um comercial de margarina moderno, no qual as matriarcas não só preparam o café da manhã como são profissionais bem sucedidas, bem vestidas e sensuais, além de criaturas de compreensivas com todos os destemperos do núcleo – independente do tamanho da bizarrice que um filho apronte. Também faz parte do manual de conduta beber com moderação – mas beber –, pensar na sustentabilidade do planeta, consumir menos carne, lutar pelos direitos dos animais e comer mais vegetais – não necessariamente nessa ordem. Ainda no campo alimentar, declarar que está a caminho do sem lactose e sem glúten e que aboliu as gorduras trans da dieta, mesmo que seus olhos brilhem na presença de um torresmo, conta pontos a favor. ... Leia Mais

Perdoe escolhas erradas do passado: eram o melhor que você podia fazer naquele momento

Temos uma tendência de chorar o leite derramado, sempre imaginando que era o último litro. Somos inconformados com nossa própria história, insistindo que tudo teria sido perfeito se, lá atrás, tivéssemos feito diferente, pegado a outra pista na bifurcação. É fácil prever o passado, olhando agora, do confortável camarote do presente. Antes de tudo, precisamos nos perdoar pelos possíveis erros de rota que cometemos.  Algumas atitudes burras eram o melhor que podíamos fazer com as ferramentas que tínhamos para lidar com as circunstâncias daquele momento. Querer que aos 18 anos tomasse uma decisão que hoje, aos 45, tem certeza que seria a mais acertada é uma tremenda injustiça com o jovem que você foi. E esse você de antes não merece castigo eterno. Não merece ficar na prisão perpétua do arrependimento porque esse solo é areia movediça que não deixa sair do lugar quando a consciência do tal leite derramado deveria é impulsionar: retomar as rédeas para que, daqui a dez anos, não esteja novamente lamentando. O queixume pelo o que deixamos de fazer ou fizemos errado costuma emprestar uma licença poética para nos mantermos exatamente no mesmo lugar, apoiados nas muletas convenientes do autoflagelo. Este autoflagelo leva a um ... Leia Mais

Obrigatório o uso de máscaras: evitam o contágio, mas não escondem nossa verdadeira face

Ao contrário do que alguns imaginam, as máscaras de proteção, que agora compõem o nosso look do dia, podem funcionar para evitar o contágio de doenças, como a dita cuja, mas o acessório não dá superpoderes a ninguém, como a capacidade de nos tornar invisíveis. Porque tem um povo que veste a máscara, coloca os óculos escuros e acha que ficou transparente: não dá bom dia no elevador, não cumprimenta o porteiro e segue de queixo erguido, fingindo que não te viu na rua, acreditando piamente que tampar dois terços do rosto é o suficiente para passar batido e desfilar falta de educação. A opção de material na confecção das máscaras de quem age assim, aliás, deveria ser madeira para fazer jus à cara de pau. E tem quem ainda acredite que o mundo vai ser um lugar melhor pós-pandemia. Vai nada. Ao contrário: as situações adversas só exacerbam quem a gente realmente é. Fazem cair máscaras, isso sim. Se a pessoa já não tinha lá muita aptidão para as boas maneiras, a máscara está funcionando como um álibi e tanto para tentar se manter no anonimato quando convém. O objetivo do isolamento seria dar um drible no vírus. Mas ... Leia Mais

Um passinho atrás, por favor? Só para recolher o que ficou e seguir em frente mais forte

Muito se fala sobre os fardos pesados que carregamos desnecessariamente: dores, pesares e arrependimentos que prejudicam a caminhada ou nos desviam das rotas planejadas. Mas também acontece o contrário e com a mesma consequência: lotamos a mala com o que não era importante e, em compensação, extraviamos pessoas, hobbies, capacidades natas e desejos, sem perceber que ali sim estava nossa essência. Esse processo de abdicarmos de pedacinhos de quem somos se instala aos poucos e por isso fica complicado reconhecer onde aquele desapego inconsequente começou: um trabalho que pagava melhor, mas não era o idealizado, te roubou de sua verdadeira aptidão; te convenceram de que os amigos da solteirice não combinavam mais com a vida de casado; o curso internacional ou a mudança de cidade trocados por permanecer no mesmo lugar e cuidar da família, enquanto se descuidava de quem você era. Suas ações de voluntariado, o esporte predileto e a coleção de selos deixada no baú das lembranças.  E, finalmente, os amores verdes que, na pressa de seguir adiante, não foram colhidos. O problema é que ficamos maltrapilhos quando despimos nossos sonhos e vestimos o dos outros. Caem mal, ficam frouxos e ajustá-los para que pareçam feitos sob medida ... Leia Mais