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#MudançaDeRota

Um passinho atrás, por favor? Só para recolher o que ficou e seguir em frente mais forte

Muito se fala sobre os fardos pesados que carregamos desnecessariamente: dores, pesares e arrependimentos que prejudicam a caminhada ou nos desviam das rotas planejadas. Mas também acontece o contrário e com a mesma consequência: lotamos a mala com o que não era importante e, em compensação, extraviamos pessoas, hobbies, capacidades natas e desejos, sem perceber que ali sim estava nossa essência. Esse processo de abdicarmos de pedacinhos de quem somos se instala aos poucos e por isso fica complicado reconhecer onde aquele desapego inconsequente começou: um trabalho que pagava melhor, mas não era o idealizado, te roubou de sua verdadeira aptidão; te convenceram de que os amigos da solteirice não combinavam mais com a vida de casado; o curso internacional ou a mudança de cidade trocados por permanecer no mesmo lugar e cuidar da família, enquanto se descuidava de quem você era. Suas ações de voluntariado, o esporte predileto e a coleção de selos deixada no baú das lembranças.  E, finalmente, os amores verdes que, na pressa de seguir adiante, não foram colhidos. O problema é que ficamos maltrapilhos quando despimos nossos sonhos e vestimos o dos outros. Caem mal, ficam frouxos e ajustá-los para que pareçam feitos sob medida ... Leia Mais

Como diria Caetano, estamos encarando o *avesso do avesso do avesso do avesso

Nos primeiros dias, quando tudo era uma completa novidade, ainda teve um pouco de graça. Afinal, estávamos protagonizando um acontecimento histórico e o #vaipassar parecia ter prazo de validade curto. Então dava para manter o equilíbrio enquanto nos ocupávamos com o que, aparentemente, estava ocupando todo mundo: arrumar gavetas, brindar pela tela do celular com outros confinados, afastar a mesa da sala de jantar para fazer seu treino de Pilates todas as manhãs, religiosamente. E o tempo foi passando (e passando e ainda está passando…), enquanto nos esforçávamos para cumprir o manual do #ficaemcasa. Mas os webinars cheios de conteúdos interessantes começaram a dar um sono danado depois dos dez minutos iniciais. Aquelas receitas – super práticas e saudáveis – que te fazem ir atrás de um monte de ingrediente exótico, deixava a pia lotada de louça suja e, portanto, a meta low carb perdeu a batalha para o aplicativo da lanchonete de hambúrguer. Jeitinho nas regras Com os cuidados pessoais foi a mesma coisa: no começo nos empenhamos aprendendo com os tutoriais sobre como hidratar o cabelo e fazer unhas com autonomia. Enchemos o carrinho das lojas virtuais com pequenos milagres da cosmética e, no final, concluímos que o ... Leia Mais

Sinta & Liga – Inimigo com crachá de amigo

Traição de amigo pode conter mais punhais do que traição de parceiro romântico e a explicação é simples: o companheiro traz em si o benefício da dúvida. Por mais que a gente acredite na fidelidade, sempre teremos um pezinho atrás, nem que seja por excesso de zelo. Já em amigo confiamos sem reservas. É para ele que corremos, inclusive, quando nos decepcionamos com o amor. Amigo sabe de coisas que pai, mãe, irmão e marido não sabem. Aliás, amigo sabe mais da gente do que a gente mesmo. Amigo é o outro lado do espelho. Por isso a decepção cortante quando quem usava o crachá de amigo te passa uma rasteira. A questão nem é conseguir se levantar, mas para onde ir depois de ficar em pé, uma vez que o porto seguro desapareceu. Amigo que se revela inimigo derruba crenças, apaga o norte, gera insegurança e solidão. É como se sentir nu ao notar que abriu as portas da casa e da alma para alguém que, no fundo, você nem conhecia. O pior é que deslealdade de amigo coloca em xeque a amizade de maneira generalizada. Você tende a olhar para todo seu círculo com desconfiança. Mas, se existe ... Leia Mais

Sinta & Liga – Não alimente (mais) os pombos

Outro dia, na praia, observei um garoto, com cerca de 6 anos, assustando pombos. Ele gritava e arremessava areia naqueles seres parecidos com passarinhos, mas que, na verdade, são ratos com asas, transmissores de doenças, como deve ter aprendido com os pais, que avalizavam o ataque. Pensei na evolução da ciência, que descobriu o quão perigosos para a saúde eles podem ser. Quando tinha a idade daquele garoto, aparentemente, meu avô não sabia que não deveria alimentá-los: íamos ao parque, com saquinhos de arroz e farelo de pão, para banquetear as criaturas aladas e eu, ao contrário do garoto, adorava vê-los aos meus pés. A única frustração era não conseguir acariciar as penas furta-cor. Porém, a tese não tem nada a ver com fauna urbana. Lembrar minhas tentativas de aproximação com as aves e ver a criança as rechaçando fez pensar que nós, assim como os pombos, temos ciclos de sermos atraídos e outros de sermos abnegados. Enquanto alvo de uma conquista, acostumamos com palavras doces, declarações rasgadas e planos auspiciosos de compartilhar felicidade. Isso alimenta a alma. Mas, diferente dos pombos que não se deixam enganar com comida farta e seguem arredios por não confiarem em humanos, embarcamos em ... Leia Mais

Amor: recalculando

O que era o melhor caminho às vezes exige mudança de rota e muito fôlego para não deixar a felicidade desistir da carona no meio da estrada. Juramos no altar, olhando nos olhos. Comprometemos nossa palavra de mãos dadas, em uma praia paradisíaca ou numa noite de chuva torrencial. Dentro do cinema. Na cama. E afiançamos o amor eterno porque, naquele momento, ele é forte o bastante para ser eterno. É a nossa verdade. Mas esquecemos que, mesmo as verdades absolutas, podem ser transitórias. E, às vezes, elas sabotam o amor. Aceitamos como evolução a mudança de emprego, de casa, de faculdade, mesmo faltando um semestre para concluir o curso. Variamos o corte e a cor dos cabelos durante toda a vida. Temos ímpeto de rasgar os livros de história depois de entender que os mapas portugueses estavam bem atualizados em 1500 e indicavam claramente terras a oeste e que Colombo, por sua vez, também não colonizou nada porque tribos nômades chegaram bem antes. As voltas atrás são aceitas em quase todas as áreas. Mas quando a vontade de romper paradigmas bate à porta dos relacionamentos amorosos formais, a condescendência não é a mesma. Porque era para durar para sempre. ... Leia Mais