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#maturidade #felicidade #EternaCriança #brincar #VidaLeve

A arte de se tornar descartável onde você era imprescindível

Tem gente acha que vai fazer falta para sempre na vida de alguém. Às vezes nem é por maldade, mas a sensação de ser imprescindível traz uma segurança, uma crença meio torta de que não é necessária quase nenhuma dedicação para manter a preferência. Como se o gostar do outro fosse uma fonte inesgotável de amor jorrando em sua direção. Mas amor é recurso finito. O poço seca quando só se faz retiradas. Quem ama também cansa. Cansa de aguardar por decisões que nunca chegam, cansa de acreditar que as promessas um dia serão cumpridas, cansa de receber “nãos” para todas as propostas, cansa de ver o companheiro andando em círculos e cansa de recolher migalhas depois de oferecer um banquete com o melhor de si. Cansa de ser invisível para quem sempre significou luz. Aos poucos – e talvez isso seja o mais triste –, por falta de uma atenção genuína, vamos deixando de contar nossas histórias, de pedir opinião, de fazer planos juntos e de procurar aconchego em abraços que nunca estiveram verdadeiramente dispostos a consolar. Cai a ficha de que estávamos sozinhos com nossa predileção. De protagonista a figurante Mas idolatria tem limite. O processo pode até ... Leia Mais

Deixa de ser mulherzinha

Quem me conhece sabe que eu implico com o dia da mulher e este ano não ia passar sem texto no contrafluxo das mensagens fofinhas ou empoderadas. E o motivo é simples: na minha cabeça, tudo o que precisa ser exaltado é porque não está naturalmente equiparado e, por isso, fica aquele incômodo, aquela sensação de que impor datas comemorativas só aumenta o abismo entre os sexos, entre as raças, entre os gêneros. Não dava só para respeitar como ser humano e pronto? A ladainha do dia da mulher me lembra um pouco discursos de palestras motivacionais: “somos poderosas, multifacetadas, cuidamos de tudo e de todos blá blá blá.” Parece mais aquela história de que uma mentira contada mil vezes vira verdade. Ou ainda um conto da carochinha para que a gente vista a personagem  e apenas “se ache” ao invés de “ser”. Eu conheço mulheres que ganhariam o prêmio de melhores do ano. A questão é que conheço outras que não receberiam o convite nem pra sentar na plateia. E conheço homens que também mereceriam a condecoração. Isso porque qualidades e defeitos vêm de fábrica pra ambos os sexos, sem distinção. Cada vez que recebo – perdoem amigos, sei ... Leia Mais

Feliz ano velho: quem disse que 2020 não valeu a pena ser vivido?

Na semana passada, uma campanha publicitária de uma importante seguradora brasileira me tocou. E olha que não sou daquelas que se comovem fácil, não. Mas a criação da agência AlmapBBDO, com a linda música “Novo Tempo”, de Ivan Lins, sintetizou um pensamento que acalento desde que a pandemia varreu a nossa rotina para baixo do tapete: este ano emblemático de 2020 valeu a pena, sim. A propaganda mostra pessoas com “feitos” de 2020 descritos nas máscaras: “tive um filho”; “aprendi violão” e “me formei” são algumas das frases que aparecem. A boa sacada está justamente no fato de sair do lugar comum, sem enaltecer ideias surradas de que o isolamento serviu para praticarmos autoconhecimento, ficarmos mais juntos com nossas famílias, cultivarmos hortas e tentarmos a meditação. A mensagem central é ainda mais singela e, por isso, eficiente: a vida não está nem aí se tem vírus ou não. Ela simplesmente acontece. E passa. Para quem acorda todo dia com saúde, é necessário seguir em frente com todos os “apesar de”: apesar das máscaras que nos sufocam; apesar da vontade de abraçar e beijar como antes; apesar da falta que festas e viagens fazem; apesar do álcool gel; apesar dos medidores ... Leia Mais

A pequena grande transgressão das sandálias vermelhas

Visitei o site umas 12 vezes. E a sandália lá, me provocando. Vermelha, ocupando toda a tela. Não era qualquer vermelho. Era um vermelho daqueles que se enxerga a dois quilômetros de distância e faz você virar ponto de referência: “aquela da sandália vermelha”. Uma papete meio espalhafatosa, com cara de verão, a um preço nada exorbitante. E tinha meu número – uma raridade quando se calça 34. Haviam também as outras cores ditas mais versáteis: nude, branco, amarelo e até a pretinha básica “vai com tudo”. Fiquei ali, naquela luta moral com o mouse em punho: colocava a amarela na sacola virtual do site, tentando me convencer de que ela tinha um pingo de ousadia e ia ficar linda com alguns dos meus vestidos. Mas, na hora de fechar o pedido, voltava a olhar a vermelha. E trocava. Conferia mentalmente a paleta de cores no meu armário e concluía, sem muita convicção, que a vermelhinha não daria certo com nada. E optava de novo por alguma cor daquelas que as pessoas esperavam ver nos meus pés. Porém, ainda que imbuída de toda esta racionalidade, não conseguia concluir a compra. “Pega a amarela. A vermelha é muito vermelha. Você não ... Leia Mais

Caro adolescente integrante da Geração Z: respeite os meus cabelos tintos

Se você passou dos 40 – ou até antes disso – tem altas chances de ter se deparado com uma situação mais ou menos assim: um serhumaninho, normalmente com menos de 20, ou se refere a você como se estivesse diante de uma peça encontrada em um sítio arqueológico ou de uma samambaia que, como todo vegetal que se preza, tem pouco a contribuir com as questões de ordem da Geração Z. O que mais intriga são os adultos dotados de QI normal, que vestem a carapuça e, na presença de adolescentes, se sentem constrangidos, como quando estamos entrevistando um ganhador do Prêmio Nobel. Aceitam pacificamente a cara de saco cheio ao abrirem a boca para argumentar, quase pedindo desculpas por estarem ali, respirando o mesmo ar que a divindade presente. Um misto de medo do pequeno aprendiz de tirano e idolatria por essa geração que se vende como muito evoluída. Não raro, vejo pais, mães e até professores tentando travar algum diálogo com este público, caindo dois patamares na evolução da espécie, usando, sem muita habilidade, um dialeto aprendido às pressas na internet. A resposta? Geralmente monossílabos entredentes, que se assemelham a uma linguagem tribal, enquanto a atenção se ... Leia Mais