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#lembranças

Todo mundo tem alguém que foi embora

Todo mundo tem alguém que foi embora e que, apesar de ter ido embora, nunca se transformou em ausência. Alguém que, mesmo não estando, dorme e acorda com a gente todos os dias. Toma um lado da cama, a cadeira no posto de trabalho ou viaja junto nas férias. Está na música que se ouve e protagoniza todos os filmes assistidos. Com quem se conversa o tempo todo, ciente de que a resposta não virá. Alguém que foi e não deixou só a saudade. Quando alguém assim retira-se, descobrimos o tamanho do espaço que o vazio pode ocupar. Um espaço tão grande que sobra pouco para acomodar qualquer coisa, principalmente as novas.  Porque vazio é solo seco onde nada prospera e não conseguimos plantar nem a esperança. O vazio de quem não está é tão robusto que é quase uma presença, mas uma presença triste e calada, que deixa sorrisos escassos e olhos apagados. Todo mundo tem alguém que deixou sonhos ou a pasta de dentes pela metade. Uma roupa pendurada no armário, um perfume dentro da gaveta ou um livro com a página marcada. Alguém que jurou que nunca iria a parte alguma e que partiu o juramento e ... Leia Mais

A janela indiscreta, inoportuna, mas irresistível das redes sociais

Usadas com moderação, as redes sociais agregam. E ainda bem, pois estamos diante de um caminho sem volta: de uma maneira ou de outra teremos que conviver neste mundo paralelo. Mas, entre os efeitos rebotes que podem causar, um em especial tende a ser bem danoso: Facebook, Instagram, LinkedIn e mais sei lá quantas novas plataformas nos mantêm conectados a quem, de outro modo, talvez nunca mais víssemos. Assim como são ferramentas úteis para encontrar amigos e reunir quem seria impossível de outra forma, tornam-se  instrumento de tortura quando o objetivo é manter alguém na arca do passado. Porque a fechadura abre a todo momento, deixando escapar fantasmas que precisam permanecer trancados a sete chaves. Hoje, ao terminar um relacionamento, o personagem não sai totalmente de cena. Antes das redes, sem outros vínculos – como amigos, escola, trabalho em comum ou moradias próximas – dificilmente daria para saber o que tinha sido feito da pessoa. Mas, com o mundo conectado, muitas informações sobre a quantas anda a vida do dito cujo estão a poucos cliques de distância e é quase irresistível espiar. Que jogue o primeiro “dislike” quem nunca buscou nas redes o nome do ex para se certificar se ... Leia Mais

Saudade deveria passar por ilha de edição para não sabotar lembranças que precisam ficar

Cada vez mais me convenço de que saudade deveria vir com ilha de edição porque trata-se de uma grande sabotadora, que precisa de regras, precisa de doma. Poderia ser uma espécie de aplicativo ou um programa de computador que tornasse viável lembrar apenas o importante para superar determinado momento. Para mudar de fase e seguir adiante. Por exemplo: que vantagem quem viu morrer alguém querido, de uma doença daquelas que levam a alma antes de definhar o corpo, tem ao recordar desta última etapa? Dos dias sombrios de sofrimento? Nenhuma. A edição de um filme de saudade destes contemplaria só os tempos bons e leves, o período antecessor, antes de a pessoa ter deixado de ser o que nasceu para ser. Uma forma digna de manter um legado que foi maculado pelo infortúnio daqueles que partem por conta de um roteiro mal escrito, sem direito a escolher o desfecho. Talvez dessa forma conseguíssemos deletar cenas de remédios, de dores e de hospital, que tendem a chamuscar a caixa das lembranças. Já as memórias de gente que não ficou por vontade própria, essas exigem outro tipo de edição porque aí, a saudade, melindrosa como é, faz o contrário e fixa só ... Leia Mais

Ao amigo que não ficou

Oi, amigo! Tudo, e você? Nossa, por onde vamos começar? São uns 25 anos de atualização do HD. E nem se fala mais HD. Começa você…não! Eu começo. Você nunca foi muito bom de começos. Vou pular a parte de como estou, se tive filhos, se casei, se aprendi a dirigir e por onde andei. O Facebook faz sua parte e, com certeza, você já deu uma geral por lá. Não? Ah..não me faça rir… esqueci minha agenda na sua casa uma vez e você folheou página por página, lembra? Hoje é engraçado. Mas naquela época foi constrangedor. Olha, confesso que passei anos sem lembrar de você. Sério. Não é bonito dizer, porém é verdade. Mas isso não significa nada. Apenas que a vida estava fazendo sua parte e me levando por um monte de lugares, me entupindo de projetos para realizar e me apresentando pessoas que não ficaram. E outras que ficaram. Mas aí vieram as redes sociais, que funcionam como um portal: as lembranças voltam e só então percebemos que tem gente que, diferente do tempo, nunca deveria ter passado. O tempo. Acho que, de maneira geral, ele não foi vilão. Muita coisa melhorou, apesar de ter menos ... Leia Mais