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#coronavirus

*A vida como (realmente) ela é

A pandemia está nos apresentando a uma vida familiar sem filtro. Um grande espelho que faz enxergar o que não necessariamente estamos dispostos a ver. Uma imersão compulsória para dentro da gente e da casa, que pode mostrar como a orquestra intramuros desafina. Porque é mais fácil ter a família perfeita quando não se fica 24 horas com ela em uma rotina que passa longe de ser de férias. É como descobrir a sujeira embaixo do tapete – que, literalmente, você descobriu depois que começou a por a mão na massa e fazer faxina. São situações das quais tentamos nos esquivar no dia a dia dos tempos normais, tampando o sol com a peneira, procurando desfocar para não encarar certas verdades, que agora estão gritando com a gente. Talvez até desconfiássemos de que havia alguma coisa errada com nossos relacionamentos mais íntimos, aqueles entre marido e mulher, filhos e nossos pais. Mas íamos empurrando com a barriga porque, afinal, não era tão difícil assim coabitar com os outros moradores nas poucas horas entre o despertar e o café da manhã ou entre o jantar e a hora de dormir. Mas agora acontece uma espécie de intensivão e a tropeçamos na ... Leia Mais

Como assim?

Como assim não abraçar? Beijar? Apertar mãos? Fazer cócegas no pezinho do bebê que entra no colo da mãe no elevador? Passar a mão no cachorro do vizinho, que – sabe lá porque – vai com minha cara e procura afago? Eu falo de perto para achar os olhos do meu interlocutor. Elogio roupa e toco na roupa. Elogio cabelo e toco no cabelo. Puxo pela mão para mostrar alguma coisa, a mesma mão que uso para conduzir quando a calçada é incerta. E alcanço o pacote de pão que está fora do alcance da senhorinha no supermercado. E toco na embalagem e na mão dela, de propósito mesmo, para mostrar que foi um prazer ajudar. Mas então como assim não encontrar meus amigos, se algumas dessas ausências me fazem entrar em crise de abstinência depois de duas semanas? E o povo falando de maio? Junho? E ainda precedido da palavra “talvez”? Oi? É sério isso? Academia fechada. Bar fechado. Café fechado. Japonês fechado. Só preciso lembrar de manter minha boca e a geladeira fechadas para que o resultado prático disso não vire meme para o Whatsapp. Aliás, a gente vai enjoar de Whatsapp. Tenho comigo que quando acabar esse ... Leia Mais