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#coronavirus

Este grande tropeço chamado 2020: mas é hora de levantar e sacudir a poeira

Na minha rotina, apesar de não recomendar, costumo fazer 56 coisas ao mesmo tempo: cozinho e falo no telefone, tomo café da manhã enquanto seco o cabelo, escovo os dentes guardando as toalhas, passo roupa enquanto vejo o noticiário. Além disso, ainda imprimo uma velocidade de atleta queniano em tudo o que faço. Nada é devagar e quando alguém de casa quer me contar algo, minha frase geralmente é:  me segue e vai falando. A justificativa do meu corre diário não é nada incomum: como a grande maioria dos adultos modernos, tenho muita coisa para fazer nas míseras 18 horas em que estou acordada e uma necessidade imensa de corresponder a tudo. Uma ânsia de dar conta, de cumprir horários e metas até que… Até que em uma manhã, enquanto eu arrumava a bolsa para sair, colocava água na planta, estendia a toalha na lavanderia e fazia maquiagem uma gotinha traiçoeira do meu óleo pós-banho, que havia caído no chão do banheiro, encontrou meu pé descalço e cumpriu seu papel de tentar me derrubar. Foi um belo escorregão até minha canela encontrar o gabinete da pia e aparar a queda iminente. Para quem joga futebol, foi mais ou menos como ... Leia Mais

Feliz ano velho: quem disse que 2020 não valeu a pena ser vivido?

Na semana passada, uma campanha publicitária de uma importante seguradora brasileira me tocou. E olha que não sou daquelas que se comovem fácil, não. Mas a criação da agência AlmapBBDO, com a linda música “Novo Tempo”, de Ivan Lins, sintetizou um pensamento que acalento desde que a pandemia varreu a nossa rotina para baixo do tapete: este ano emblemático de 2020 valeu a pena, sim. A propaganda mostra pessoas com “feitos” de 2020 descritos nas máscaras: “tive um filho”; “aprendi violão” e “me formei” são algumas das frases que aparecem. A boa sacada está justamente no fato de sair do lugar comum, sem enaltecer ideias surradas de que o isolamento serviu para praticarmos autoconhecimento, ficarmos mais juntos com nossas famílias, cultivarmos hortas e tentarmos a meditação. A mensagem central é ainda mais singela e, por isso, eficiente: a vida não está nem aí se tem vírus ou não. Ela simplesmente acontece. E passa. Para quem acorda todo dia com saúde, é necessário seguir em frente com todos os “apesar de”: apesar das máscaras que nos sufocam; apesar da vontade de abraçar e beijar como antes; apesar da falta que festas e viagens fazem; apesar do álcool gel; apesar dos medidores ... Leia Mais

Obrigatório o uso de máscaras: evitam o contágio, mas não escondem nossa verdadeira face

Ao contrário do que alguns imaginam, as máscaras de proteção, que agora compõem o nosso look do dia, podem funcionar para evitar o contágio de doenças, como a dita cuja, mas o acessório não dá superpoderes a ninguém, como a capacidade de nos tornar invisíveis. Porque tem um povo que veste a máscara, coloca os óculos escuros e acha que ficou transparente: não dá bom dia no elevador, não cumprimenta o porteiro e segue de queixo erguido, fingindo que não te viu na rua, acreditando piamente que tampar dois terços do rosto é o suficiente para passar batido e desfilar falta de educação. A opção de material na confecção das máscaras de quem age assim, aliás, deveria ser madeira para fazer jus à cara de pau. E tem quem ainda acredite que o mundo vai ser um lugar melhor pós-pandemia. Vai nada. Ao contrário: as situações adversas só exacerbam quem a gente realmente é. Fazem cair máscaras, isso sim. Se a pessoa já não tinha lá muita aptidão para as boas maneiras, a máscara está funcionando como um álibi e tanto para tentar se manter no anonimato quando convém. O objetivo do isolamento seria dar um drible no vírus. Mas ... Leia Mais

Como diria Caetano, estamos encarando o *avesso do avesso do avesso do avesso

Nos primeiros dias, quando tudo era uma completa novidade, ainda teve um pouco de graça. Afinal, estávamos protagonizando um acontecimento histórico e o #vaipassar parecia ter prazo de validade curto. Então dava para manter o equilíbrio enquanto nos ocupávamos com o que, aparentemente, estava ocupando todo mundo: arrumar gavetas, brindar pela tela do celular com outros confinados, afastar a mesa da sala de jantar para fazer seu treino de Pilates todas as manhãs, religiosamente. E o tempo foi passando (e passando e ainda está passando…), enquanto nos esforçávamos para cumprir o manual do #ficaemcasa. Mas os webinars cheios de conteúdos interessantes começaram a dar um sono danado depois dos dez minutos iniciais. Aquelas receitas – super práticas e saudáveis – que te fazem ir atrás de um monte de ingrediente exótico, deixava a pia lotada de louça suja e, portanto, a meta low carb perdeu a batalha para o aplicativo da lanchonete de hambúrguer. Jeitinho nas regras Com os cuidados pessoais foi a mesma coisa: no começo nos empenhamos aprendendo com os tutoriais sobre como hidratar o cabelo e fazer unhas com autonomia. Enchemos o carrinho das lojas virtuais com pequenos milagres da cosmética e, no final, concluímos que o ... Leia Mais

*Sobre como lidamos com o revezamento de personalidades em um dia de quarentena

É mais ou menos como ter duas personalidades revezando o protagonismo nas 24 horas do nosso dia.  A pessoa que acorda, antes do relógio com um pique de monitor de colônia de férias, é o otimista que está enxergando o lado bom da quarentena. Reverencia o sol e a pachamama, coloca música techno e treina seguindo a videoaula do professor – visivelmente mais gordo – da academia fechada há dois meses. Fala pelos cotovelos, usando as palavras da live de autoajuda da noite anterior, toma café da manhã sem glúten e sem lactose, por conta da dica da nutricionista no Instagram. Em seguida, engole os polivitamínicos que comprou em uma dessas madrugadas insones na frente do computador, quando decidiu levar uma vida saudável às 4 horas da manhã. Dois dias depois, a encomenda chega via motoboy – aqueles aparentemente imunes ao coronavírus – e nem se lembrava mais para que os comprimidinhos coloridos serviam. Então pega o celular disposto a dar só uma espiadinha nas mensagens apocalípticas, científicas, memes, teorias da conspiração e na briga política dos grupos e, uma hora e meia depois, quando consegue finalmente soltar o aparelho e ir para o banho, metade da positividade vai para ... Leia Mais