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#autoconhecimento #mudança

Carta aberta ao ex: aquela que muitos gostariam de um dia escrever

Querido ex qualquer coisa – namorado, marido ou amante –, como vai? O tempo passou, descruzamos de vez nossos caminhos e o que lá atrás parecia impossível aconteceu: não é que a vida se transformou em um lugar melhor e hoje você não passa de uma vaga lembrança? Claro, não foi de uma hora para outra: no começo, sair da cama todas as manhãs foi uma dificuldade. “Para que mesmo?”, me perguntava. Os dias se arrastavam nublados, mesmo com o sol a pino do lado de fora. E o “lado de fora” era o que menos importava. Vivi aquele momento de egoísmo: minha dor doía como a maior do mundo. É uma fase de se afogar em lágrimas e de conseguir a proeza de sentir ódio e saudade no mesmo minuto. Num domingo que durou umas duas semanas, em um ato simbólico, recolhi todos os objetos que te representavam – de ursinhos de pelúcia aos chinelos esquecidos no banheiro –, enfiei tudo numa caixa e levei para o lixo do prédio. Mas, como é uma fase bipolar, o arrependimento já estava comigo na volta, no elevador. Apertei de novo o segundo subsolo e retornei agarrada na caixa resgatada, imaginando o ... Leia Mais

Caro adolescente integrante da Geração Z: respeite os meus cabelos tintos

Se você passou dos 40 – ou até antes disso – tem altas chances de ter se deparado com uma situação mais ou menos assim: um serhumaninho, normalmente com menos de 20, ou se refere a você como se estivesse diante de uma peça encontrada em um sítio arqueológico ou de uma samambaia que, como todo vegetal que se preza, tem pouco a contribuir com as questões de ordem da Geração Z. O que mais intriga são os adultos dotados de QI normal, que vestem a carapuça e, na presença de adolescentes, se sentem constrangidos, como quando estamos entrevistando um ganhador do Prêmio Nobel. Aceitam pacificamente a cara de saco cheio ao abrirem a boca para argumentar, quase pedindo desculpas por estarem ali, respirando o mesmo ar que a divindade presente. Um misto de medo do pequeno aprendiz de tirano e idolatria por essa geração que se vende como muito evoluída. Não raro, vejo pais, mães e até professores tentando travar algum diálogo com este público, caindo dois patamares na evolução da espécie, usando, sem muita habilidade, um dialeto aprendido às pressas na internet. A resposta? Geralmente monossílabos entredentes, que se assemelham a uma linguagem tribal, enquanto a atenção se ... Leia Mais

O destino mais difícil de ser deixado para trás: um lugar chamado nunca mais

Alguma vez você teve uma sensação parecida: é o último dia de uma viagem adorável e, enquanto tranca a mala para voltar à rotina, se avizinha uma espécie de melancolia, que transcende o fim das férias: é a certeza de que tudo o que foi vivido ali já faz parte da história e talvez nunca mais volte a ver aquele lugar, aquelas pessoas ou até reveja, mas não será a mesma experiência. Pode acontecer também ao fechar, pela última vez, a porta da casa que foi cenário de sua infância e entrega as chaves ao novo morador. Olhando através das grades da escola onde estudou ou limpando a gaveta de sua mesa no último dia naquele emprego. Ou ainda ao lembrar do último beijo, aquele não será mais repetido. A ideia do “nunca mais” é difícil de ser assimilada até mesmo quando a vivência nem foi assim tão gratificante. Porque é mais sobre a impotência de mandar no tempo, sobre termos a consciência de que não estamos no comando de nada e de que a vida vai passar incólume, independente de tê-la desfrutado ou não. Nem sempre o “nunca mais” tem a ver com a escassez de anos para serem ... Leia Mais

A arte de ser só e bem acompanhada ao mesmo tempo

Vou escrever no feminino não porque acredito que o cenário é exclusivo, mas talvez este seja um processo mais evidente entre mulheres: na adolescência, seguimos a fila, entramos no modo “Maria vai com as outras”, como diria minha avó, uma vez que ali o que importa é fazer parte de um grupo, ser aceita. Fica um pouco confuso separar o que realmente queremos daquilo que queremos só porque todo mundo que interessa também quer. Nessa fase, não nos entendemos muito bem, seja fisicamente, seja emocionalmente e o espelho acaba sendo o outro e evitamos um olhar mais demorado sobre nós: tudo parece ter vindo com defeito de fábrica. O mau humor, recorrente da faixa etária, não é gratuito: tende a ser resultado dessa completa falta de compreensão de si, como se convivêssemos com uma desconhecida. Na maioria das vezes, só depois de adultas muitas têm a oportunidade de começar uma espécie de autoflerte. Uma descoberta preciosa que sinaliza que nossa melhor amiga estava ali o tempo todo. Vamos tirando de letra manias e teimosias, enquanto aprendemos a respeitar limites e a valorizar qualidades pessoais e intransferíveis. Vai caindo a ficha de que estar em grupo é ótimo, mas sentar para ... Leia Mais

Termine uma história de amor para começar outra, mas nunca deixe de ser o protagonista

“Você fugiria comigo hoje?”, perguntou o amante afoito e inconsequente, mais pela frase de efeito do que pela proposta arrebatadora nela contida. “Não”, respondeu a heroína, menos preocupada em dar corda à aventura romântica, digna de sessão da tarde, e mais focada em edificar sonhos. “Antes de ir, tenho que fechar a casa e fazer malas definitivas. Me certificar de não deixar torneiras abertas e janelas sem trinco. Varrer toda a poeira que levei para dentro com meus próprios pés. Regar as plantas, contando que outro jardineiro não demore a encontrá-las. Cobrir móveis, recolher as lembranças que vão me servir e deixar as que já não são mais úteis. E só assim estarei saindo completa e não chegarei aos pedaços na próxima história.” Viver um novo amor requer ter acompanhado toda a novela anterior, com os bons e os maus capítulos, sem pular nenhum. Sair pela porta dos fundos de uma relação vai te obrigar a ingressar na outra igualmente pela entrada de serviço e um amor que se propõe ser verdadeiro merece chegar com tapete vermelho e não pela cozinha. Caso contrário é como tentar trocar o pneu com o carro em movimento ou atravessar a rua sem olhar ... Leia Mais