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#autoconhecimento #mudança

Este grande tropeço chamado 2020: mas é hora de levantar e sacudir a poeira

Na minha rotina, apesar de não recomendar, costumo fazer 56 coisas ao mesmo tempo: cozinho e falo no telefone, tomo café da manhã enquanto seco o cabelo, escovo os dentes guardando as toalhas, passo roupa enquanto vejo o noticiário. Além disso, ainda imprimo uma velocidade de atleta queniano em tudo o que faço. Nada é devagar e quando alguém de casa quer me contar algo, minha frase geralmente é:  me segue e vai falando. A justificativa do meu corre diário não é nada incomum: como a grande maioria dos adultos modernos, tenho muita coisa para fazer nas míseras 18 horas em que estou acordada e uma necessidade imensa de corresponder a tudo. Uma ânsia de dar conta, de cumprir horários e metas até que… Até que em uma manhã, enquanto eu arrumava a bolsa para sair, colocava água na planta, estendia a toalha na lavanderia e fazia maquiagem uma gotinha traiçoeira do meu óleo pós-banho, que havia caído no chão do banheiro, encontrou meu pé descalço e cumpriu seu papel de tentar me derrubar. Foi um belo escorregão até minha canela encontrar o gabinete da pia e aparar a queda iminente. Para quem joga futebol, foi mais ou menos como ... Leia Mais

Não se apequene para caber nos planos de alguém: isso não é amor

Acontece meio devagar e não nos damos conta logo de cara: deixamos de fazer um curso que nos interessava e ia ajudar no trabalho, largamos a faculdade pela metade ou nos abstemos de ir morar em outra cidade em nome de ficar mais perto e por mais tempo de quem roubou nosso coração. No começo, parece o mais lógico a fazer. Afinal, que graça teria viajar – mesmo que a viagem tenha sido planejada há tempos e o destino era um sonho antigo – se a pessoa escolhida não estará junto? Mas aí o relacionamento segue e seguimos mais apaixonados, fazendo de tudo para não magoar a outra parte, com receio que qualquer atitude fora do contexto estrague aquele mar de rosas. E não notamos que o mar de rosas só existe porque somos nós que entramos com as rosas. Não percebemos, uma vez que o foco não está mais em nós. E assistimos filmes de ação quando a preferência são as comédias bobinhas. Vamos fazer crossfit com os joelhos em frangalhos porque seu par acha legal isso de treinar em casal e deixamos de lado nossa predileção por dançar balé. Descobre-se, na prática, que o companheiro morre de ciúmes ... Leia Mais

Com que roupa eu vou? As dores e as delícias de vestir sua autoestima

O assunto aqui não é moda, passarelas ou o universo fashionista, apesar de, em um primeiro momento, parecer isso. O tema é a preocupação saudável com a aparência, de como nos apresentamos para o mundo. “Preocupação saudável” porque pode-se incorrer no erro de confundir com o clichê da ditadura da beleza, da necessidade de seguir padrões e, de novo, não é isso. Quando falamos em roupas, acontecem alguns fenômenos interessantes: ou somos tachados de fúteis, sob o argumento de o importante é a essência da pessoa, ou de materialistas porque a tendência é pensar que se trata de um privilégio de quem tem rios de dinheiro para gastar “à toa”. Porém, são contra-argumentos vazios, que deixam escapar a verdade por detrás da falta de cuidado ao se apresentar em público ou para o espelho: negligência com a autoestima e escassez de um olhar amoroso sobre si mesmo. Há um pensamento recorrente de que vestir bem é apenas necessário ao ir a uma festa, ao trabalho ou à igreja e que, no restante do tempo, é só encaixar uma calça e uma blusa “para bater” e evitar sair nu. “Roupa da missa”, diriam alguns. Este tipo de crença alimenta o descuido, ... Leia Mais

Feliz ano velho: quem disse que 2020 não valeu a pena ser vivido?

Na semana passada, uma campanha publicitária de uma importante seguradora brasileira me tocou. E olha que não sou daquelas que se comovem fácil, não. Mas a criação da agência AlmapBBDO, com a linda música “Novo Tempo”, de Ivan Lins, sintetizou um pensamento que acalento desde que a pandemia varreu a nossa rotina para baixo do tapete: este ano emblemático de 2020 valeu a pena, sim. A propaganda mostra pessoas com “feitos” de 2020 descritos nas máscaras: “tive um filho”; “aprendi violão” e “me formei” são algumas das frases que aparecem. A boa sacada está justamente no fato de sair do lugar comum, sem enaltecer ideias surradas de que o isolamento serviu para praticarmos autoconhecimento, ficarmos mais juntos com nossas famílias, cultivarmos hortas e tentarmos a meditação. A mensagem central é ainda mais singela e, por isso, eficiente: a vida não está nem aí se tem vírus ou não. Ela simplesmente acontece. E passa. Para quem acorda todo dia com saúde, é necessário seguir em frente com todos os “apesar de”: apesar das máscaras que nos sufocam; apesar da vontade de abraçar e beijar como antes; apesar da falta que festas e viagens fazem; apesar do álcool gel; apesar dos medidores ... Leia Mais

A pequena grande transgressão das sandálias vermelhas

Visitei o site umas 12 vezes. E a sandália lá, me provocando. Vermelha, ocupando toda a tela. Não era qualquer vermelho. Era um vermelho daqueles que se enxerga a dois quilômetros de distância e faz você virar ponto de referência: “aquela da sandália vermelha”. Uma papete meio espalhafatosa, com cara de verão, a um preço nada exorbitante. E tinha meu número – uma raridade quando se calça 34. Haviam também as outras cores ditas mais versáteis: nude, branco, amarelo e até a pretinha básica “vai com tudo”. Fiquei ali, naquela luta moral com o mouse em punho: colocava a amarela na sacola virtual do site, tentando me convencer de que ela tinha um pingo de ousadia e ia ficar linda com alguns dos meus vestidos. Mas, na hora de fechar o pedido, voltava a olhar a vermelha. E trocava. Conferia mentalmente a paleta de cores no meu armário e concluía, sem muita convicção, que a vermelhinha não daria certo com nada. E optava de novo por alguma cor daquelas que as pessoas esperavam ver nos meus pés. Porém, ainda que imbuída de toda esta racionalidade, não conseguia concluir a compra. “Pega a amarela. A vermelha é muito vermelha. Você não ... Leia Mais