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#ausência #compreensão #fim #FimDeRelacionamento

Sinta & Liga – Carta triste para alguém que não ficou (porque todo mundo tem alguém que não ficou)

Bastava ter segurado minha mão mais forte ou por mais tempo e eu entenderia que não era hora de ir. Você me encontrou na multidão, mas me perdeu quando desviou seus olhos e optou por calar o que sentia, não acreditando que a sua verdade poderia ser a minha verdade também. Eu fui. Voei mundos, mudei de roupa e de sonhos. Mudei de vida e de princípios. Encontrei pessoas e me desencontrei de mim. Mas tantas vezes olhei para traz. Tantas vezes procurei por aquelas mesmas mãos. Ora para me acompanhar, ora para me ajudar a levantar. Mas desisti de te encontrar por caminhos que não eram os seus. De te encarcerar num baú de lembranças porque a arca nunca fechou. E inventei um você só para mim, um que aceitou, sem resistência, morar nos meus pensamentos. Aquele cuja biografia ainda se escrevia em meia dúzia de páginas nas quais eu era a única heroína. Um você que permanecia. E foi assim que senti sua companhia em noites estreladas, com lua sorrindo. Em praias desertas e outras nem tanto. Em ruas inóspitas, quando o medo do escuro trazia a criança assustada que mora em mim para a superfície. Em corredores ... Leia Mais

Sinta & Liga – Não alimente (mais) os pombos

Outro dia, na praia, observei um garoto, com cerca de 6 anos, assustando pombos. Ele gritava e arremessava areia naqueles seres parecidos com passarinhos, mas que, na verdade, são ratos com asas, transmissores de doenças, como deve ter aprendido com os pais, que avalizavam o ataque. Pensei na evolução da ciência, que descobriu o quão perigosos para a saúde eles podem ser. Quando tinha a idade daquele garoto, aparentemente, meu avô não sabia que não deveria alimentá-los: íamos ao parque, com saquinhos de arroz e farelo de pão, para banquetear as criaturas aladas e eu, ao contrário do garoto, adorava vê-los aos meus pés. A única frustração era não conseguir acariciar as penas furta-cor. Porém, a tese não tem nada a ver com fauna urbana. Lembrar minhas tentativas de aproximação com as aves e ver a criança as rechaçando fez pensar que nós, assim como os pombos, temos ciclos de sermos atraídos e outros de sermos abnegados. Enquanto alvo de uma conquista, acostumamos com palavras doces, declarações rasgadas e planos auspiciosos de compartilhar felicidade. Isso alimenta a alma. Mas, diferente dos pombos que não se deixam enganar com comida farta e seguem arredios por não confiarem em humanos, embarcamos em ... Leia Mais

Sinta & Liga – Você não perde quem se perde de você

O lugar era sinistro. Um prédio sem elevador e sem iluminação na escadaria, bem no centro de São Paulo. Enquanto subia, tentando acompanhar a ansiedade da minha amiga, que seguia com uns dez degraus de vantagem. Perguntei sobre como exatamente aquilo iria resolver. Ela me acenou com o papel que tinha nas mãos e me olhou como se a doida fosse eu: -“Volta o amor em sete dias”, você não sabe ler? Ler eu sabia, só não sabia que ela – mesmo com o excesso de crença dos 18 anos – acreditava naquilo. E aquele foi só o primeiro endereço de mais uns cinco para o qual ela me arrastou para reverter sua situação amorosa. Eu não sabia o que me incomodava mais: ver uma não crente frequentando de cartomantes a terreiros de umbanda e, algumas vezes, pagando caro por isso ou o objetivo questionável de – teoricamente – ter ao seu lado, “amarrado”, alguém que dava todos os indícios que já não queria mais estar. Eu não discuto forças sobrenaturais. Mas supondo que a magia dê certo, compensa esse sequestro? Sei lá, eu ia acordar todo dia e pensar: fulano está comigo porque quer ou porque eu coloquei a ... Leia Mais

Não procure explicação para a ausência. Ela já é a explicação

Existem bilhetes que chegam em branco. Mas contam o que você precisa saber. Sabe aquela história de que para um bom entendedor, meia palavra basta? Com a ausência funciona mais ou menos do mesmo jeito. É difícil aceitar. Mas na quarta ou quinta ocorrência, quando as tentativas de justificar vão ficando cada vez menos verossímeis, a gente começa a perceber que tem um caminho sem volta ali. Só não está quem não quer estar. Principalmente no mundo conectado de hoje, no qual o outro está ao alcance de um teclado de celular. Não há nada que respalde a falta de comunicação. A não ser o desinteresse em estar presente. Quem deixa lacunas conta uma história inteira. Na maioria das vezes, não é exatamente a narrativa que gostaríamos de ouvir. Mas é a que vale. E vale mais do que a história contada com palavras para desculpar a omissão, na tentativa vã de explicar o que, por si só, já está mais do que explicado. Mas acontece que, às vezes, essas palavras chegam tão bonitas e se encaixam tão direitinho na métrica da trilha sonora escolhida, que acalmam o coração. E a gente se apega a essas explanações ocas como quem ... Leia Mais