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#AprenderALição

Psicopatas do amor: fazem do romance um esporte até que o jogo perde a graça

Às vezes nem o olhar mais atento captura, mesmo mantendo um pezinho atrás por excesso de zelo. O máximo que se sente é uma certa estranheza quando a perfeição fica meio fora da realidade. Mas aí vem o pensamento reconfortante: “por que, afinal, não tenho direito de viver uma paixão plena?” E agradece o privilégio de ser agraciada por um amor tão completo, com parceria, cumplicidade e paixão. Por isso é tão difícil engolir o que vem a seguir: você dormiu na melhor parte da história e acordou despejada de seu sonho: o amor não só não está mais ali, como nunca esteve. Nada foi real e não passou de uma miragem no deserto. E o diagnóstico é matador: você foi o brinquedo de um psicopata de relacionamentos. Como todo psicopata que se preze, não mede consequências dos seus atos simplesmente porque não sente: nem compaixão, nem remorso, nem nada. Ele a escolheu para exercitar seu teatro e foi bem sucedido, a ponto de te envolver no que parecia ser o romance da vida. Talvez pelo poder da conquista, para afiar as garras ou simplesmente constatar o quanto é fácil manipular a caça. Mas talvez a gente nunca entenda o ... Leia Mais

Até que o excesso de amor nos separe

Já vai? Não, toma mais um café. É cedo. Ainda preciso te contar umas histórias… na verdade, agora não lembro quais são essas histórias. Mas ainda há muito para contar. Afinal, foi dessa forma que Sherazade se livrou da morte e ganhou o amor eterno do rei Shariar, não foi? Hoje entendo o empenho de Sherazade. É difícil encarar o fim. Sempre depois que você sai, eu me recordo de algo que não dividi. E fico esperando a próxima oportunidade. Sim, eu sei. Não teremos outra oportunidade. Por isso acho importante você ficar mais um pouco. Assim eu tenho mais matéria-prima para recarregar minha memória, todas as vezes que precisar recorrer a ela para ter você por perto. Está certo. Combinamos de não dar um tom melodramático.  Na verdade, você combinou. A mim, me coube aceitar. Concordo, claro. Que futuro a gente teria? Só porque nos amamos incondicionalmente, completamos a frase um do outro, rimos juntos a maior parte do tempo, temos princípios similares, os mesmos ídolos, entendemos nossas diferenças e somos nossos maiores fãs? Como dois seres humanos que sentem que o tempo ganha cor quando um está com o outro, que são capazes de conversar por horas intermináveis sobre qualquer ... Leia Mais

A única batalha que já começa perdida: a luta por amor

Lutar por amor. Não consigo imaginar combate mais sem sentido. Quando escuto alguém dizendo, com a voz cheia de orgulho, que vai lutar para o casamento dar certo ou que está investindo naquela que é a grande paixão, meu único pensamento é: que desperdício de tempo, de esforço e, principalmente, de autoestima. O mais engraçado é que a pessoa realmente acha que está fazendo algo nobre, mas, na verdade, está se negando a entender que essa é uma batalha perdida antes de começar e por uma só razão: para quê serve esta peleja? Está lutando para convencer um ser humano livre de que ele deve ficar enlaçado a você porque este é o “seu” desejo? Está guerreando para provar que é imprescindível na vida de quem simplesmente não sente da mesma forma? Sabe qual é a impressão? Que existe uma intenção de vestir a ideia fixa com o uniforme solene da determinação, atribuindo uma conotação épica ao fato: “visto uma armadura reluzente e, como um guerreiro medieval, vou a campo e arrebato meu grande amor”. Ah, para, né? Desse jeito o objeto amado não é conquista. Na melhor das hipóteses, é prisioneiro de guerra. Lutar por amor não é mandar ... Leia Mais

A arte de ser só e bem acompanhada ao mesmo tempo

Vou escrever no feminino não porque acredito que o cenário é exclusivo, mas talvez este seja um processo mais evidente entre mulheres: na adolescência, seguimos a fila, entramos no modo “Maria vai com as outras”, como diria minha avó, uma vez que ali o que importa é fazer parte de um grupo, ser aceita. Fica um pouco confuso separar o que realmente queremos daquilo que queremos só porque todo mundo que interessa também quer. Nessa fase, não nos entendemos muito bem, seja fisicamente, seja emocionalmente e o espelho acaba sendo o outro e evitamos um olhar mais demorado sobre nós: tudo parece ter vindo com defeito de fábrica. O mau humor, recorrente da faixa etária, não é gratuito: tende a ser resultado dessa completa falta de compreensão de si, como se convivêssemos com uma desconhecida. Na maioria das vezes, só depois de adultas muitas têm a oportunidade de começar uma espécie de autoflerte. Uma descoberta preciosa que sinaliza que nossa melhor amiga estava ali o tempo todo. Vamos tirando de letra manias e teimosias, enquanto aprendemos a respeitar limites e a valorizar qualidades pessoais e intransferíveis. Vai caindo a ficha de que estar em grupo é ótimo, mas sentar para ... Leia Mais

Termine uma história de amor para começar outra, mas nunca deixe de ser o protagonista

“Você fugiria comigo hoje?”, perguntou o amante afoito e inconsequente, mais pela frase de efeito do que pela proposta arrebatadora nela contida. “Não”, respondeu a heroína, menos preocupada em dar corda à aventura romântica, digna de sessão da tarde, e mais focada em edificar sonhos. “Antes de ir, tenho que fechar a casa e fazer malas definitivas. Me certificar de não deixar torneiras abertas e janelas sem trinco. Varrer toda a poeira que levei para dentro com meus próprios pés. Regar as plantas, contando que outro jardineiro não demore a encontrá-las. Cobrir móveis, recolher as lembranças que vão me servir e deixar as que já não são mais úteis. E só assim estarei saindo completa e não chegarei aos pedaços na próxima história.” Viver um novo amor requer ter acompanhado toda a novela anterior, com os bons e os maus capítulos, sem pular nenhum. Sair pela porta dos fundos de uma relação vai te obrigar a ingressar na outra igualmente pela entrada de serviço e um amor que se propõe ser verdadeiro merece chegar com tapete vermelho e não pela cozinha. Caso contrário é como tentar trocar o pneu com o carro em movimento ou atravessar a rua sem olhar ... Leia Mais