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Como assim não abraçar? Beijar? Apertar mãos? Fazer cócegas no pezinho do bebê que entra no colo da mãe no elevador? Passar a mão no cachorro do vizinho, que – sabe lá porque – vai com minha cara e procura afago?

Eu falo de perto para achar os olhos do meu interlocutor. Elogio roupa e toco na roupa. Elogio cabelo e toco no cabelo. Puxo pela mão para mostrar alguma coisa, a mesma mão que uso para conduzir quando a calçada é incerta.

E alcanço o pacote de pão que está fora do alcance da senhorinha no supermercado. E toco na embalagem e na mão dela, de propósito mesmo, para mostrar que foi um prazer ajudar.

Mas então como assim não encontrar meus amigos, se algumas dessas ausências me fazem entrar em crise de abstinência depois de duas semanas? E o povo falando de maio? Junho? E ainda precedido da palavra “talvez”? Oi? É sério isso?

Academia fechada. Bar fechado. Café fechado. Japonês fechado. Só preciso lembrar de manter minha boca e a geladeira fechadas para que o resultado prático disso não vire meme para o Whatsapp.

Aliás, a gente vai enjoar de Whatsapp. Tenho comigo que quando acabar esse tal isolamento social não vamos conseguir nem olhar para a tela do aplicativo. Porque não tem álcool gel que elimine tanta teoria da conspiração. A maioria das mensagens mais tóxica do que informativa.

Eu fico tentando me convencer de que meu trabalho – que já era tipo confinado mesmo – continua e que, afinal, eu vou poder colocar a vida em ordem.

Mas não. Porque vida não é o que acontece dentro de uma gaveta bagunçada ou diante de uma série de TV. Vida é casa cheia, com vírus, bactérias e pia lotada de louça. É encontrar o amigo no boteco e abraçar por cinco segundos, bem forte, até ele perceber o tamanho da saudade e o prazer em revê-lo. Vida é reunir a família em um churrasco e compartilhar o copo de caipirinha.

Portanto, é tudo que sei que não dá pra fazer agora porque sou uma adulta responsável e bem informada, que precisa manter em confinamento, dentro de mim, a criança inconformada e infeliz até tudo isso passar.

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