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Revista Anamaria

Coluna Sinta & Liga – A miopia do amor à primeira vista

 Não. Ninguém ama à primeira vista. À primeira vista você repara nos sapatos, no sorriso, na bunda. Nota se a pessoa come de boca aberta, palita os dentes ou chama o garçom por psiu. À primeira vista descobrimos Simone & Simaria na playlist, se os verbos são conjugados corretamente ou se ali está um motorista que dirige pelo acostamento. Talvez seja possível odiar à primeira vista. Amar exige conhecimento de causa. Detectar nas entrelinhas as miudezas que provocam admiração. Só com um mínimo de convivência a gente encontra o amor. Notamos gestos de gentileza apenas evidentes quando o outro não sabe que está sendo observado. Quando baixa a guarda, o personagem sai de cena e o ator mostra quem é na vida real. Vamos percebendo amor quando a pessoa nos ouve olhando nos olhos. Ri das mesmas piadas tontas que nos fazem rir também. Usa o guarda-chuva arqueado em nossa direção. Prefere ir a pé para ficar mais tempo junto. E aí sim, quando cai a ficha de que você faria o mesmo, olhando no fundo da trilha, o amor está se avizinhando. À primeira vista não dá para saber se vão encaixar dormindo de conchinha, se ele gosta de ... Leia Mais

Coluna Sinta & Liga – *Tempo, faz um acordo comigo?

Ok, você vai continuar passando. Essa parte eu entendi. Tenho sentido, literalmente, na pele. Mas é que está ficando meio complicado te alcançar. Antes, eu chegava na frente. Os natais demoravam três anos. Contava os dias para o meu aniversário, mas o calendário dava ré. E as férias na praia? Uma eternidade para repetir. Teve a fase em que você ficou elástico. Quanto cabia em 24 horas? Dava para ir à faculdade, trabalhar, passar no shopping, sair com amigos e ficar uma hora no telefone e essa hora durava horas. Sobrava muito de você para ler, ir ao cinema, à academia, brigar com o namorado e fazer as pazes. Mas, na mesma proporção que os projetos foram acumulando, você foi rareando. Coisas a serem feitas que extrapolam o hoje e esperam por amanhã. Mas o dia seguinte fica ainda menor que o anterior e de repente, a sensação é de que nem adianta tirar o pijama porque dali a dez minutos entramos nele de novo. E é por conta dessa pressa, desse triatlo do dia a dia, que gostaria de negociar. Fica um pouco sem graça isso de sentir que você navega tão rápido sem que eu possa surfar todas ... Leia Mais

Coluna Sinta & Liga – Não vire a página: insista até aprender a lição

 Eu não gosto de conselhos pasteurizados. Desses prontinhos, que todo mundo repete sem pensar na tremenda bobagem que está falando. A pessoa acabou de ser expulsa de um casamento, foi demitida ou descobriu que o melhor amigo – que, portanto, nem era tão amigo assim – colocou sua foto bêbada na rede social e vem algum pagão dizer: “esquece isso, vira a página”. Perfeito. Como não pensei nisso antes? Só um minuto que vou ali lavar o rosto, fazer uma lobotomia e já volto. Tem uma coisa que se ninguém reparou até agora, deveria reparar: a vida cobra aprendizagem. E cobra mesmo, como aquela professora de matemática particular, que sua mãe contratou a peso de ouro. Enquanto não se aprende, a lição será repetida. Mudam os cenários, mudam os personagens, mas a matéria é igual. Sabe o amigo que te causa pena porque não para em emprego nenhum? Tão inteligente tão capaz e afirma que existe uma teoria da conspiração contra ele. Um dia você é o colega da mesa ao lado e descobre que truculência é seu sobrenome. E o fulano vai virando as páginas da Carteira de Trabalho, sem humildade para aceitar que a única teoria da conspiração ... Leia Mais

Coluna Sinta & Liga – Seu próximo namorado não precisa saber do anterior

É um clássico. Primeiro encontro com aquele que tem tudo para ser seu futuro namorado: cara bacana, bom de papo, charmoso, parece interessado e visivelmente rola uma atração recíproca. Você linda, sorridente e absoluta. Estão se conhecendo, compartilhando experiências, viagens, signos, superstições, gostos. Riem de alguma piada idiota, trocam olhares. Seguem falando sobre família, pets e esportes. Até que… Até que 95% das mulheres não resistem e começam a tagarelar sobre o único assunto que, definitivamente, é dispensável: o ex. E não são comentários brancos – “meu ex-marido pega minha filha a cada quinze dias e assim tenho o fim de semana livre…” ou ainda “…ah, que coincidência, meu ex-namorado é engenheiro naval e super gente boa também” – não. Em determinado ponto da conversa, a mulher cheia de atitude sentada ali, atrás de uma taça de vinho, veste a fantasia de vítima indefesa do ex, aquele monstro em quem ela confiou, com quem fez planos, que a traiu com a amiga, que era ciumento, a fazia chorar e mais um monte de lamentações infalíveis para matar o outro de tédio. É como se a ladainha guardasse um alerta subliminar: “olha lá, hein? Não quero passar por isso de novo. ... Leia Mais

Coluna Sinta & Liga – Vou ali fazer o que quero e já volto

Somos meninas. Princesinhas. Patricinhas. Vacas. Biscates. E, às vezes, todas em uma, depende de quem nos enxerga. Mas se tem uma coisa que a maturidade pode trazer é a certeza de que nenhum rótulo é definitivo. E, se o outro me vê como não sou, é uma pena. Pra ele. A maioria de nós, da faixa dos 50, cresceu se apaixonando por príncipes, idealizando o “felizes para sempre”, esquecendo que esse capítulo nunca existiu nos livros que nos inspiraram. Coube a nós encarar o dia seguinte de cara lavada, sem saber direito o que esperar de casamentos e uniões estáveis. Estável? Uma união, por melhor que seja, está sempre sujeita a tempestades ou, no mínimo, a uma amplitude térmica de 30 graus em um dia. Não há nada mais instável do que uma união. E ouso dizer que nós, as princesas, mudamos mais do que os príncipes, que, na maioria das vezes, ficam mesmo encantados. Prostrados. Observando, incrédulos, suas parceiras descalçarem o sapatinho de cristal para andar com mais segurança sobre os próprios pés. E a gente vai gostando disso, de pisar o chão, deixando as próprias marcas. De entender que pernas são ótimas para emoldurar uma saia, mas são ... Leia Mais