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Wal Reis

Desculpe, foi engano

Não. Não dá para passar uma borracha e esquecer tudo. E também não dá para culpar o outro por erros seus. Mas, por sorte, a estrada é de mão dupla: o caminho que vai, também volta – Concentra. Tenho certeza que você vai lembrar. Começa tirando a lente cor-de-rosa e encara: ele era isso o tempo todo. Esse exercício, proposto por mim para uma amiga, tinha a intenção de fazê-la puxar para o nível de consciência situações desagradáveis e mensagens subliminares – e outras nem tão subliminares assim – de um relacionamento que já não fazia mais sentido. Parecia cruel. Ela lá, do outro lado do mundo, querendo ser consolada, querendo ouvir que era possível esquecer tudo, passar uma borracha, como dizem por aí (como se fosse possível apagar dores dilacerantes), e se atirar nos braços traidores que lhe eram estendidos novamente. Mas aí era eu que nunca me perdoaria por assistir e não agir. Foram meses de ligações, voltas atrás, broncas, lágrimas, convicções quebradas, cansaço de mil maratonas. Mas ela sempre soube qual era o caminho. Por isso eu nunca desisti dela. Por isso ela nunca desistiu de mim. E esse caminho passava longe de ser o mais fácil. ... Leia Mais

Quando apaga seu sorriso é porque não vale mais a pena

Poucas coisas são mais tristes do que ter que seguir adiante deixando parte de você para trás. Mas quando a rua é de mão única, essa é a rota possível. Quando a vontade de mandar flores ao delegado passa (oi, Zeca Baleiro). Quando buscar o sono é mais sedutor que saudar o novo dia. Quando gera mais dúvida do que certeza. Quando apaga seu sorriso é porque não vale mais a pena. É duro encarar, mas alguns amores têm prazo de validade. O amor pelo trabalho, o amor pelo seu chão e sim: o amor pelo outro. As pequenas evidências de que acabou chegam devagar, mas intoxicam. E, na ânsia de ressuscitar a fase boa, fechamos os olhos para os sinais quando, no fundo, sabemos que nada mais pode ser feito pelo doente terminal. Palavras e atitudes já não vão na mesma direção. A presença física não garante a presença emocional e vice-versa. Sua aflição é apenas sua aflição. A música que te emociona só emociona a você e o amor desafina. Mas e os planos? Ainda ontem estávamos carimbando passaportes para tantas viagens, selecionando o cardápio de um jantar romântico, esperando a turnê de nosso cantor favorito chegar por ... Leia Mais

E com vocês ela, a mãe da noiva

Se sua filha vai casar, prepare-se: fôlego de maratonista, paciência de monge tibetano e conta bancária de príncipe herdeiro de Dubai E a bebezinha vai casar. Você já desconfiava: panfletos de lançamentos imobiliários pela casa, o interesse súbito pela árvore genealógica da família (“mãe, aquela tia do papai ainda está viva?”), o número crescente de consultas ao Pinterest para o item “vestido de noiva”. Mas é inevitável se emocionar quando a notícia chega oficialmente e ali, de mãos dadas com aquele quase estranho, sua menininha anuncia o enlace. Porém, mal dá tempo de enxugar a primeira lágrima de comoção. A lista de coisas “a fazer” é enorme, mesmo faltando um ano para o sim. E a picorrucha adianta, em tom de cumplicidade, que contará com mamãe para tudo, incluindo o pagamento de algumas faturas e excluindo a parte mais divertida, como a viagem de despedida de solteira com as 12 madrinhas para Buenos Aires. A primeira ida de mãe e filha ao ateliê grifado, indicado pela colega rica, é cheia de risinhos cúmplices. Ali também a progenitora terá toda a liberdade de escolher o modelo que quiser para o grande dia, desde que a rebenta concorde com a cor, o ... Leia Mais

A arte de meditar. #sóquenão

Sempre digo: meditar é uma alternativa viável para redimensionar os problemas e encarar a vida de maneira mais leve. Mas só acho. Porque ainda não consigo. Um breve relato sobre minha quase primeira experiência com meditação.e> Hoje todo mundo medita. Antigamente era comum encontrarmos seres meditativos apenas em festas naturebas. Entre um brinde e outro com suco de capim santo, alguém contava sobre a experiência da meditação com riqueza de detalhes, explicando sobre como essa conexão transformou sua vida, fazendo você se sentir meio culpado e a anos luz de distância da pacha mama. Mas a prática transcendeu os limites esotéricos e se alojou entre nós, os bebedores convictos de vinho e cerveja, irrequietas criaturas que comem carne, falam palavrão e fecham os outros no trânsito. Gente aparentemente sem a mínima vocação para encontrar o eu interior. E o cardápio de quem chega a esse estado de nirvana me mata de inveja: menos ansiedade, menos expectativas, mais compreensão e visão do todo: algo que te torna assim, parecido com um monge tibetano. Acho mesmo que acalmar a mente é um dos caminhos para a qualidade de vida. Por isso, há alguns anos, antes da coisa de meditar se tornar cool, ... Leia Mais